Neptun Pearl

Localizada na Península de Setúbal, na Reserva Natural do Estuário do Sado, a Neptunpearl, Lda. é uma empresa de produção aquícola especializada na produção de ostras da mais elevada qualidade – Ostras Especiais Neptun.

Pretendemos recuperar o património biológico e cultural da região através da reintrodução da produção da Ostra Portuguesa (Crassostrea Angulata), assim como implementar práticas de produção sustentáveis, nomeadamente com métodos de produção não intensivos, ou seja, produção com baixas densidades.
Baixas densidades na produção, permitem às Ostras terem mais alimento natural e oxigénio, ou seja, um desenvolvimento das Ostras mais natural e equilibrado, resultando em Ostras da mais elevada qualidade.

DO SONHO À MATERIALIZAÇÃO

“Célia Rodrigues tem as mãos todas estragadas. Arranhões, cicatrizes, manchas vermelhas. São o seu instrumento e usa-as nuas, sem proteção, para puxar os sacos de ostras, arrancar algas, eliminar um caranguejo intrometido. Filha mais velha de um armador de Peniche, começou a andar embarcada quando ainda mal sabia nadar. Apanhou sustos de morte, esteve dias inteiros a vomitar, fez juras de não voltar. Mas não conseguiu fugir ao destino. “A minha mãe nunca quis que eu estivesse ligada a esta vida, mas ...” conta, enquanto nos mostra a sua produção de ostras, em Setúbal. Primeiro quis ser “varredora de mares”, depois bióloga marinha. Acabou na produção animal e passou muitos anos em aquacultura. “Eu é que fazia tudo, mas trabalhava para outros.”. Decidiu montar a sua própria empresa, dedicada à criação de ostras, camarão e erva salicórnia, que vai muito bem a acompanhar.

A sua ostra tem fama, porque apresenta uma boa proporção entre a quantidade de ‘carne’ e a de água e casca. Célia consegue uma taxa de 25% no chamado “índice de condição”. Sendo que a partir de 15% as ostras já são “consideradas especiais”, sublinha. Há o clima da Península de Setúbal, as águas favoráveis do estuário e, claro, os ‘mimos de mãe’ com que a produtora revira e agita os sacos ou as gaiolas com ostras mergulhadas na água, retira as algas, verifica se alguma está estragada e elimina os caranguejos invasores.

A produtora sonha com uma aquacultura integrada, em que no mesmo espaço se consiga produzir toda a cadeia alimentar. Com ostras, macroalgas, peixes herbívoros e peixes carnívoros. Mais fácil de dizer do que de fazer. “Demora 30 anos até percebermos como funciona uma espécie num sistema de aquacultura”, nota. Mas o caminho terá de ser esse – porque, para alimentarmos o nosso apetite, não há outro.”

“In Revista Visão 19.07.2016”

A OSTRA NA RESERVA NATURAL DO ESTUÁRIO DO SADO

A Produção Ostrícola sofreu um acentuado declínio nos anos 70, época em que cerca de 4.000 pessoas se dedicavam ao “cultivo” de ostra no rio Sado. Este declínio continua a ser alvo de debate, mas apontam-se como potenciais causas a doença das brânquias que na época afetou as ostras a nível Europeu e o desenvolvimento da indústria de construção naval – poluição das águas com TBT (Tributil-Estanho) utilizado nas tintas. A proibição do uso nas tintas do TBT e o tratamento de efluentes, resultou na recuperação da ostra no Estuário do Sado.

Inovação
Estamos permanentemente a desenvolver e a participar em projetos, em parceria com várias
entidades académicas e empresariais, que visem o conhecimento, a proteção e a valorização da simbiose entre a natureza e a produção no Estuário do Sado, nomeadamente estudos de:
• Diferenciação orgonolética e nutricional das ostras;
• Acondicionamento de reprodutores de pepinos do mar;
• Microalgas;
• Sondas de análises da água.

Qualidade
Produzimos ostras de qualidade superior demonstrada através dos resultados de análises efetuadas, bem como ao índice de carne apresentado sempre superior a 20% de parte edível. Esta qualidade resulta das excelentes condições do local e técnicas de produção.
As águas ricas em nutrientes em combinação com outros parâmetro físico-químicos permitem atingir índices de crescimento das ostras duas a três vezes superior às suas congéneres do norte da Europa quando cultivadas em regimes idênticos.

Práticas de produção
As ostras são produzidas em regime extensivo em antigas salinas convertidas em viveiros naturais. Os trabalhos diários consistem essencialmente na renovação de água dos viveiros, agitação, triagem e colocação das ostras nos respetivos sacos, que têm uma malhagem adequada ao tamanho das ostras.
São animais filtradores alimentando-se do fitoplâncton providenciado naturalmente pela água do estuário. O trabalho de produção consiste em “mimá-las” enquanto permanecem nos viveiros. São também bioindicadores que revelam a qualidade do meio onde vivem através da espessura da casca.
O sabor da ostra e a textura é variável de acordo com as técnicas de produção e o local onde é produzida.